MESTRE, POR QUE O HOMEM CONTINUA VIVENDO DESSA MANEIRA: EM MISÉRIA, EM AGONIA, EM SOFRIMENTO?

                                                                              MESTRE,  POR QUE O HOMEM CONTINUA VIVENDO DESSA MANEIRA: EM MISÉRIA, EM AGONIA, EM SOFRIMENTO?

O HOMEM VIVE sob uma grande hipnose, sob profundos condicionamentos: a sociedade condiciona você; o Estado, o padre, o polí­tico, a cultura, a religião, a igreja, todos eles investem em seu sono profundo. Eles não querem que você acorde, pois uma vez que a humanidade esteja acordada, não será mais possí­vel haver políticos, padres, templos, igrejas, religiões; tudo isso desaparecerá da face da terra. Toda essa exploração só é possí­vel porque o homem vive no sono, porque ele é infeliz, e só uma humanidade infeliz pode ser explorada.
É um cí­rculo vicioso; só um homem infeliz pode ser explorado e, quando você o explora, ele se torna mais infeliz. Sendo mais infeliz, pode-se explorá-lo ainda mais, e assim por diante.
Um homem feliz é um rebelde. A felicidade é uma tremenda rebelião. Nenhuma sociedade até hoje permitiu que alguém fosse feliz; é muito perigoso. Como mandar pessoas para a guerra, se elas forem felizes? Como se poderá ensinar-lhes coisas estúpidas, como nazismo, comunismo, fascismo, nacionalismo? Se as pessoas forem felizes elas riram dessas tolices, de todas essas ideologias; não levarão nada disso a sério. Rirão só com a idéia de que alguém possa ser cristão, hindu ou muçulmano, e que possam lutar durante séculos e matarem-se uns aos outros.

Gurdjieff adorava esta parábola. Ela tem muito significado. Medite sobre ela.

Havia um mágico muito rico que tinha um grande rebanho de carneiros. Ele não queria pagar um pastor, nem erguer uma cerca em volta do pasto, pois era muito avarento. Por isso, os carneiros estavam sempre se perdendo pela floresta ou caindo em penhasco, e principalmente fugindo, pois sabiam que o mágico queria matá-los e usar suas peles.

Finalmente o mágico encontrou uma solução. Hipnotizou o rebanho dizendo que todos os carneiros eram imortais, que nenhum mal lhes seria feito quando suas peles fossem tiradas, que, ao contrário, seria bom para eles e até mesmo agradável. Também sugestionou-os dizendo que ele era um bom mestre, que amava seu rebanho e que estava pronto a fazer qualquer coisa por eles, e que, por isso, não precisavam se preocupar com nada. Depois, o mágico também fez seus carneiros acreditarem que não eram carneiros, mas leões, águias, homens e até mesmo mágicos.
Com isso, todas as preocupações do mágico com seus carneiros terminaram. Eles nunca mais fugiram e esperavam tranquilamente a hora em que o mágico queria matá-los e tirar-lhes a pele.
Essa história é uma boa ilustração da posição do homem.
Você tem sido hipnotizado para permanecer na infelicidade, tem sido ensinado e condicionado para permanecer na infelicidade. E o truque é muito sutil. Por exemplo: primeiro, todos aprendem que a felicidade existe no futuro. Isso é um absurdo. A felicidade existe aqui/agora. Você não precisa alcançá-la; você já traz com você, ela é parte de seu Ser. Mas toda criança aprende, através da sugestão e mais sugestões, que, a menos que tenha uma casa grande, dois carros, muito dinheiro, fama, sucesso, e outras coisas mais, não será feliz. Como se a felicidade dependesse de alguns objetos ou de qualquer coisa! A felicidade não depende de nada e toda criança nasce feliz.
As ambições criam a miséria e nunca o deixam feliz. Uma vez que você se torna ambicioso, as sementes da miséria são plantadas bem fundo em você. Agora você nunca será feliz, pois o futuro, o amanhã nunca chega, e as suas esperanças estão todas no amanhã.
Você pode ter uma casa grande, mas não será feliz, pois existirão sempre casas maiores do que a sua, e isso criará infelicidade. Você tem uma bela mulher, mas existem milhares de mulheres mais bonitas no mundo, e isso não o deixará feliz. Você pode ter dinheiro, mas nem isso o fará feliz, pois sempre poderá ter mais.

Esse é o truque: "o mais" foi implantado em você como um eletrodo: "tenha mais, então será feliz." Como você pode ter mais? Qualquer coisa que você tenha sempre poderá imaginar mais. Se você tem dez mil Reais, pode imaginar vinte; se tem vinte, pode imaginar quarenta. Como pode parar esse "mais"? Qualquer coisa que você tenha, sempre será menos que o "mais", e isso criará infelicidade.
Você também foi sempre ensinado a comparar, e a comparação traz infelicidade. Cada indiví­duo é incomparável; ninguém mais é como você; como comparar? A comparação só é relevante quando são duas coisas semelhantes, como por exemplo, comparar um carro Ford com outro carro Ford; eles são iguais. Mas como comparar dois homens? Impossí­vel. Cada um é tão individual que qualquer comparação trará infelicidade.
No momento em que você compara, está criando um inferno à sua volta. Desde sua infância você foi ensinado: "Seja como fulano. Veja o filho do vizinho como é inteligente e você como é estúpido. Veja como fulana é madura e você é tão imatura", e assim por diante. Essas comparações fazem você sentir-se infeliz. Você é você mesmo: não há ninguém como você, nunca houve e nunca haverá. Deus nunca repete.
Você é único. E quando digo "único", não é num sentido comparativo; você não é mais único que os outros e, sim, cada um é único. A unicidade é muito comum; todo mundo é único. Quando você começa a comparar, acaba ficando neurótico e, mais cedo ou mais tarde, irá parar num divã de psiquiatra.
A comparação cria tensão, ansiedade. Você foi ensinado a ser cristão, hindu, muçulmano; como pode a consciência ficar confinada a ideologias? As ideologias são produtos da mente; a consciência está muito além. Ideologias são ficções, não tem nada a ver com a verdade. A verdade é a sua consciência, mas você dá mais atenção às ideologias e se esquece da verdade. Você luta, discute, prova e desaprova. Ensinaram-lhe que alguém é indiano, que o outro é chinês, o outro japonês. Ou que você é comunista, ou faceta, isso ou aquilo;

milhares de doenças foram implantadas em você…você quer ser feliz. Para isso, terá que abandonar todas essas idéias.
E você pode abandonar tudo de uma só vez; não há necessidade de abandonar aos poucos, pois assim acabará não abandonando nunca.
Abandone tudo num golpe de espada: esse golpe eu chamo de compreensão. Uma pessoa inteligente, ao ver essas idéias, imediatamente as abandona. Também não adianta dizer: "Antes tenho que me preparar, fazer ioga, ficar de cabeça para baixo e, então, abandonarei." Assim você não abandonará nada. Se não pode abandonar enquanto sua cabeça está no lugar certo, não irá abandonar quando estiver no lugar errado!
De cabeça para baixo você ficará mais estúpido. É até perigoso, pois irá mais sangue para o seu cérebro. Os tecidos do cérebro são muito delicados e, quando muito sangue vai a ele, esses tecidos se rompem.
Por isso, se você pensa que amanhã fará alguma coisa, irá preparar-se, para então abandonar, você não entendeu nada. É como se uma cobra atravessasse à sua frente e você dissesse: "primeiro vou me preparar, e então saltarei para fora do caminho.".
Se você entender, simplesmente abandonará o ser hindu, muçulmano, cristão, inglês, americano, indiano; simplesmente abandonará a comparação.
Quando a comparação cessa, o "mais" é abandonado, as ideologias todas são jogadas fora e, de repente, você sente um prazer, uma celebração em seu ser, que só estava esperando a hipnose ser quebrada para surgir.
A dificuldade não está em você não poder abandonar agora, neste momento, mas em não querer, porque muito está familiarizado com isso.
Você diz que gostaria de ser feliz, mas tem medo. Na verdade, você não tem coragem de ser feliz. Você já viveu tanto tempo com essa hipnose que ela já lhe é familiar: se você sair dela, estará indo para o desconhecido, para o estranho, e isso o faz tremer. Você já se acostumou com ela. Você pode carregá-la.

O homem tem uma capacidade incrível de se ajustar as coisas, a qualquer clima, a qualquer situação, a qualquer doença ou miséria; o homem tem capacidade infinita de ajustamento.
Você não é feliz, isso é certo, mas também não é infeliz. Essa infelicidade tornou-se sua companheira.
Um dia, numa loja de cruzes, chegou um homem que parecia muito cansado, e que foi logo tirando a cruz dos ombros e colocando-a no chão.
"Em que posso servi-lo?", perguntou o dono da loja.
"Quero trocar o meu peso", respondeu o homem. "Essa cruz é muito pesada para eu carregar; não aguento mais."
"Muito bem", replicou o fazedor de cruzes. "Experimente todas essas cruzes, e veja qual lhe serve melhor".
Satisfeito, o homem começou a experimentar uma por uma. A primeira pareceu leve no início mas, depois de alguns passos, percebeu que era mais pesada do que a antiga. Tentou outra, e outra, e mais outra, até que finalmente achou uma mais leve do que todas. "Essa posso carregar facilmente" – disse o homem. "Posso levá-la?"
"Pois não", disse o fazedor de cruzes, "mas essa é a cruz que você trouxe!"
As pessoas se acostumam…Se você tem carregado um certo peso de infelicidade, uma certa cruz de angustia e de ansiedade, acaba se acostumando; esse peso é quase parte de seu ser. E, então, qualquer coisa nova será mais incômoda, pois com o novo você terá que aprender novas maneiras de ser. E a felicidade? Você esqueceu a sua linguagem. Você nem se lembra mais o que significa felicidade.
E eu digo: "abandone o seu ego", você diz: "como posso deixar o ego? Por que devo me entregar?" Esse "eu" não é nada mais do que seu passado. Olhe profundamente para isso, analise um pouco, e você não encontrará nada além de misérias e mais misérias…feridas, insultos, irritações, pesadelos…Mas você luta por isso. Você não está pronto para abandoná-lo; está realmente apegado.
No momento em que você abandona o "eu", abandona também toda a hipnose em que a sociedade o forçou a entrar.

A Divina Melodia – Bhagwan Shree Rajneesh (Osho)

 

 

todo amor,

Fran



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